Monografia sobre Segurança no Mergulho

A formação dos mergulhadores do Núcleo do Corpo de Bombeiros e o meio civil se distinguem em função do maior grau de dificuldade existente nas ações de busca e resgate, onde esses profissionais são expostos a situações limites de respostas positivas e pressões psicológicas e de stress.

Os treinamentos teóricos e práticos são elaborados em cima de situações de emergências1, onde os mergulhadores da corporação são expostos a situações de emergenciais, para que no momento da ocorrência, o salvamento ou a busca, saibam aplicar a melhor solução possível.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará possui uma Unidade Militar, o Núcleo de Busca e Salvamento que tem o maior poder operacional na área de mergulho na corporação, em virtude de possuir numero maior de mergulhador e equipamentos. Possui o núcleo uma subseção de atividades aquáticas na qual os mergulhadores fazem parte. Esta é responsável pela execução das atividades de mergulho na capital e de acordo com a necessidade poderá reforçar as demais guarnições de outras unidades da capital ou interior. Estes bombeiros mergulhadores são responsáveis por diversas missões subaquáticas, as quais são muitas vezes repletas de riscos a saúde do bombeiro. Esta questão do perigo se materializa em situações de emergências, no momento da execução dos serviços, quando o mergulhador, por estar em ambiente cujos fatores condicionantes 2são os piores possíveis para um mergulho seguro, é neste momento que se diferencia nossos mergulhadores, pela calma, paciência, habilidade para passar pelas adversidades e sobreviver. Este mergulhador se preparou para a missão mais difício no curso de Mergulho Autônomo da corporação. Situações perigosas são freqüentes, para isso seleciona -se não os melhores, mas os mais capacitados para este tipo de serviço em
situações muito criteriosas .

1 EMERGÊNCIA, neste caso, significa qualquer condição anormal capaz de afetar a saúde do mergulhador ou a
segurança da operação de mergulho.
2FATORES CONDICIONANTES, para o mergulho são todos os fatores que influenciam na execução do mergulho
tais como: Profundidade, temperatura, visibilidade, correntezas, etc..


Em períodos de baixa estação as ocorrências são bem simples e em numero reduzido, raras são as ocorrências que necessitam de número maior de mergulhadores de serviço. Em contra partida, períodos de férias e feriados prolongados há uma escala especial, onde se reforça em numero de mergulhadores, em razão dos índices de
ocorrências aumentarem sensivelmente. Excepcionalmente são as vezes onde se convoca todos os mergulhadores para se reunirem, isso ocorre em virtude de treinamentos, cursos ou uma grande tragédia onde seja necessário número maior de mergulhadores para executar o serviço ( Ex: ônibus fundeado em açude com várias vitimas ou a procura de avião desaparecido no mar, fatos estes verídicos). Estes mergulhadores são preparados para mergulhar em águas de rio, açude, lagoas, mar, bueiros, poço, caverna, comportas, galerias, áreas portuária, etc...


1.3. Problema de Pesquisa
Diante do exposto questiona-se: como funciona o gerenciamento da segurança nas operações de busca e salvamento realizadas pelos mergulhadores da Corporação de Bombeiros Militar do Estado do Ceará?

1.4 Objetivos

1.4.1 Objetivo geral
Identificar o funcionamento das operações de busca e resgate realizadas pelos mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará.

1.4.2 Objetivos específicos

• Identificar as condições de trabalho a que são submetidos os bombeiros mergulhadores;
• Descrever os sentimentos e percepções dos mergulhadores quanto à segurança do trabalho;
• Descrever como funciona o gerenciamento da segurança durante as missões de mergulho.

1.5 Justificativa
A gestão de segurança nas atividades de mergulho do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará surgiu como nosso tema de pesquisa a partir do momento em o pesquisador conheceu os dois lados que dividem o mundo do mergulho:

• o primeiro é habitado pela grande maioria das pessoas que vêem a atividade como forma de lazer, simplesmente; pessoas mergulhando para fazer novos amigos, estar em contato com a natureza, viver novas experiências e conhecer lugares diferentes;

• o segundo, ao mesmo tempo, perigoso e fascinante; os mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará - CBMCE trabalham sob tensão e em condições que, muitas vezes, põem em perigo a vida dos militares envolvidos na operação. Estes homens se submetem também em mergulhos em águas turvas, em buracos de rua... Homens que descem no mar à procura de corpos e bens desaparecidos, onde os fatores condicionantes são adversos.

O interesse do pesquisador veio a partir do momento em que realizou o Curso de Mergulho Autônomo do CBMCE, no ano de 2003, momento em que passou a participar e a conhecer um pouco mais do trabalho desenvolvido pelos bombeiros. Teve contato com equipamentos, mergulhadores e com as condições de trabalho a que são
submetidos. Ao freqüentar o Núcleo de Busca e Salvamento, passou a conhecer o perfil dos nossos mergulhadores e constatar que, apesar de não haver regras e normas para a realização de um mergulho diferenciado, existe, no entanto, um cuidado por deveras especial com a segurança do bombeiro. O bombeiro mergulhador da Corporação é formado especificamente para essas situações, onde a segurança é fator preponderante para o cumprimento eficaz das manobras de mergulho.

Este trabalho proporcionará uma análise dos procedimentos de segurança realizados pelos mergulhadores bombeiros para o cumprimento das missões com mais eficácia e eficiência. Contribuirá para revisão e padronização dos procedimentos gerenciais de conduta e ações de segurança durante as fainas de mergulho da
Corporação. Servirá para despertar na Corporação o entusiasmo pela prática constante da segurança, não só para o mergulho, mais para toda área de atuação da Corporação.


2. REFERENCIAL TEÕRICO - UM MERGULHO NA SEGURANÇA

2.1 Gerenciamento de segurança do trabalho
A humanidade adequou –se aos novos meios de produção, foi se transformando a medida que estas necessidades, criada pela indústria emergente, revoluciona e cria novos conceitos de meios de produção.

O homem adaptou-se a exigências cada vez maiores, pois a produção artesã não supria a demanda exigida. Máquinas foram aos poucos inventadas, ao longo do tempo aprimoradas. A princípio a produtividade seria voltada para os objetivos da empresa e o homem aos poucos se tornava mera peça de uma engrenagem em
extinção, pois as máquinas grosseiras passaram a uma condição mais sofisticada.

As taxas de acidentes cresceram com o avançar tecnológico, assim como a gravidade dos mesmos. A ótica da empresa, visando aumento de produção, era priorizada e o trabalhador cada vez mais sujeito ao desconforto da insegurança do trabalho exercido. Não se visualizava ainda questões como treinamento apropriado para o trabalhador, visando profissionalização do empregado e dando-lhe conhecimento técnico teórico.

O custo de acidente não era visualizado em razão do raciocínio lógico de custo + lucro = Preço Final. Dentro desta forma de pensar o empregador procurava aumentar o lucro sem aumentar o preço final. O trabalhador era quantificado apenas pelo salário que recebia. Tudo isso por não haver legislação que protegesse o trabalhador e
ausência de uma forma mais lógica de se administrar.