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Ocupação humana em Trindade
A descoberta de Trindade ainda é controversa.
A hipótese aceite pela maioria dos historiadores refere-se
ao navegador Português Estevão da Gama, o qual na segunda
viagem de Vasco da Gama às Índias, teria descoberto
Trindade. A ilha da Trindade vem pela primeira vez documentada no
mapa de Kunstmann III, datado em 1507.
Em Abril de 1700, a famosa expedição
comandada pelo capitão Edmund Halley (o mesmo que identificou
o cometa), reivindicou a ilha como possessão britânica,
e foi a primeira expedição a desembarcar na ilha. Na
ocasião, Halley deixou ali animais domésticos, entre
os quais cerca de 600 cabras, número que actualmente foi reduzido
para menos de uma dezena. Estes animais foram introduzidas na ilha
para servirem de alimento a possíveis navegantes perdidos,
ou que por alí desembarcassem sem provisões. Nos trezentos
anos de vida feral, esse rebanho caprino tornou-se no maior problema
ecológico, pois devastaram boa parte da flora nativa e contribuiram
para a erosão em várias partes da ilha. A situação
é tão grave que em algumas áreas o solo já
foi totalmente lixiviado pelas chuvas, formando-se enormes “vossorocas”
(fendas), sulcando e causando um certo impacto na paisagem da ilha.
Tal facto ocorreu em diversas ilhas oceânicas em todo o mundo.
Alguns exemplos clássicos são Bali, Moorea, Maui e algumas
ilhas do Arquipélago de Galápagos.
Os ingleses voltaram a Trindade em 1781, onde montaram
uma pequena base na face oeste da ilha. Em Janeiro de 1783, o Capitão
José de Mello Brayner desembarcou em Trindade para expulsar
os invasores britânicos, que já se haviam retirado. Nessa
viagem do capitão Brayner, foram levadas consigo 150 pessoas
destinadas à ocupação permanente da ilha. Poucos
anos mais tarde esse número caiu para 88, incluindo 6 casais,
que ali viveram em estado de miséria até a sua remoção
por ordem do novo Vice Rei o Conde de Rezende, em 1795.
Tesouros & Piratas
Décadas
mais tarde, a Ilha da Trindade foi dominada por comerciantes de escravos
e piratas. Com isso nasceram muitas lendas, uma das quais refere a
existência de um tesouro enterrado e perdido em algum local
da ilha. Tal tesouro dataria do século XVII, e teria sido ali
deixado por piratas ingleses que interceptaram um galeão espanhol
com muito ouro e prata roubado da catedral de Lima, após a
independência do Peru.
Para encontrar tal tesouro, foram realizadas aproximadamente
doze expedições, incluindo a de E.F. Knight, em 1885,
que foi a Trindade após receber um mapa com a localização
do tesouro de um suposto pirata sobrevivente. Ainda hoje, alguns marinheiros
cogitam, com ambicioso brilho no olhar, a possível existência
desse tesouros na ilha.
Através de meios diplomáticos o Brasil conseguiu a posse de Trindade, e incorporou a ilha ao seu território em 1897. No entanto, a primeira ocupação ocorreu apenas durante a primeira guerra mundial. No começo dos anos 20 esta ilha serviu como presídio político e em 1957 como parte do programa brasileiro para a participação no ano geofísico internacional. Nessa mesma época foi criada a estação oceanográfica destinada a reunir dados dessa região, praticamente desconhecida até então. Apesar de permanecer pouco explorada, por volta de 1985 o local foi escolhido como base brasileira para futuros testes nucleares. Graças à extinção desse projecto nefasto, a ilha não se encontra mais em risco, e continuará encantando os poucos quem tem o privilégio de conhece-la.
A natureza singular de Trindade
As ilhas oceânicas são consideradas ecossistemas ímpares,
onde o isolamento geográfico cria condições únicas
para a ocorrência de espécies animais e vegetais. Há
também, grande possibilidade de ocorrerem espécies endémicas,
isto é, em todo o mundo elas só existem naquele local
específico.
Trindade possuí uma vida marinha peculiar.
Alí vivem várias espécies de peixes, entre as
quais algumas ainda não foram descritas pela ciência.
O mais abundante é o popular “purfa” (nome derivado
da expressão – “por favor, me pega”) (Melichthys
niger), que literalmente “fervilha” nas águas que
banham a ilha. Os tubarões também são muito comuns,
principalmente o tubarão dos recifes (Carcharhinus perezi),
o cação-lixa ou lambarú (Ginglymostoma cirratum)
e, por vezes, aparece um tubarão-tigre ou uma tintureira (Galeocerdo
cuvieri).
A fauna de peixes da Ilha da Trindade tem particular
interesse devido à sua posição geográfica
isolada, entre a Crista Médio Atlântica e a costa brasileira.
Em contraste com as outras ilhas tropicais da Dorsal-Atlântica,
a Ilha da Trindade tem uma grande afinidade com a fauna Atlântica
ocidental. Isto deve-se à cadeia de montanhas submarinas Vitória-Trindade.
Tal cadeia está sob a influência do fluxo ao sul da Corrente
de Brasil. Distâncias de menos de 250 km separam cada montanha
submarina das suas vizinhas mais próximas. Os ápices
dessas montanhas projectam-se até perto da superfície
(15-150 m) e funcionam como "trampolins" para a fauna da
costa brasileira.
Cinco espécies novas estão sendo descritas da Ilha de
Trindade, Malacoctenus. sp n. (Labrisomidae), Scartella. sp n., Entomacrodus
sp n. (Blenniidae), Elacatinus sp n. e Lythrypinus. sp n. (Gobiidae).
Todas estas espécies desovam em zonas demersais. As larvas
ficam relativamente pouco tempo (de duas a cinco semanas) entre o
plâncton, o que resulta em menor abrangência e distribuição
geográfica mais restrita para as mesmas.
